Na busca por compreender as raízes do controle contábil e da prestação de contas, muitos se voltam para as civilizações modernas e suas estruturas complexas. No entanto, um exemplo histórico nos leva às montanhas dos Andes, onde a antiga civilização inca desenvolveu uma inovadora ferramenta para controlar sua vasta extensão de território e administrar seu Império: os quipus.
O estudo intitulado "O uso dos quipus como ferramenta de controle tributário e de accountability dos incas", elaborado por Paulo Schmidt e José Luiz dos Santos, lança luz sobre a notável contribuição dos quipus para a contabilidade e o sistema de prestação de contas dos incas. Utilizando uma abordagem qualitativa, o estudo mergulha na análise bibliográfica e documental para revelar como esses complexos sistemas de cordas e nós foram empregados de forma eficaz.
Os resultados da pesquisa revelam que os quipus incaicos não eram apenas cordas emaranhadas, mas sim os principais registros e relatórios usados para administrar a gestão tributária do Império Inca. Eles eram elaborados pelos especialistas conhecidos como Quipucamayocs, cuja responsabilidade pela precisão era tão elevada que qualquer erro poderia resultar na perda de suas vidas. Essa evidência atesta a importância desses registros e da profissão dos Quipucamayocs na sociedade inca.
Uma das contribuições do estudo é a revelação de que, embora não existisse um padrão único para a confecção dos quipus, todos compartilhavam uma forma de representação numérica baseada no sistema de contagem decimal. Isso é notável, pois denota a sofisticação do sistema contábil incaico, que de certa forma se assemelha aos sistemas numéricos ocidentais. A semelhança vai além das estruturas numéricas, já que o estudo também destaca a responsabilidade e a prestação de contas dos Quipucamayocs, que enfrentavam punições severas, inclusive a pena de morte, por imprecisões em suas tarefas.
Os registros contidos nos quipus não eram meramente números e nós; eles eram a base para a cobrança de tributos e a prestação de contas em toda a sociedade inca. Essa prática ecoa a função dos registros contábeis atuais, que servem como base para cálculos tributários e como fonte de informações para várias partes interessadas.
O estudo também destaca a influência da invasão espanhola e da disseminação da cultura colonizadora, que marcou o declínio gradual do uso dos quipus como ferramenta de controle. No entanto, mesmo com décadas de pesquisa dedicada a esses artefatos, ainda há mistérios a desvendar. As incertezas sobre a extensão real do uso dos quipus continuam a intrigar e inspirar novas investigações.
Portanto, os quipus incaicos não eram apenas cordas e nós intricados, mas sim uma engenhosa forma de controlar e relatar a gestão tributária e a prestação de contas no Império Inca. Essa descoberta nos lembra que a contabilidade e o controle financeiro têm raízes profundas na história e desempenharam um papel vital nas sociedades antigas, tão complexas quanto as modernas. Através do estudo minucioso dessas ferramentas ancestrais, continuamos a desvendar os segredos do passado e a ganhar perspectivas valiosas para o presente e o futuro.
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